A falta de dilatação é argumento para muitas indicações de cesárea durante o trabalho de parto. Mas será mesmo que é possível não ter dilatação?

Hoje vamos desconstruir essa ideia, afinal de contas, não existe a falta de dilatação, existem acontecimentos que podem estagnar ou deixar mais lenta sua evolução no trabalho de parto.

Como acontece a dilatação durante o parto

 

A dilatação nada mais é do que o alargamento do colo do útero, onde o bebê precisa passar para nascer.

Esse processo costuma levar horas e o que você mais precisa é de paciência.

A primeira coisa para entender como acontece a dilatação é: ela só acontece quando você tem contrações e as contração vão evoluindo pouco a pouco durante o trabalho de parto.

Se você ainda não tiver contração, você não vai ter dilatação.

As contrações fazem o movimento de empurrar o bebê para fora, ou seja, para baixo. Conforme o bebê vai descendo ele vai empurrando o colo do útero, abrindo e forçando a passagem para o canal vaginal. E é por isso que a dilatação só acontece quando tem contração.

Cada contração é um empurrão e assim o colo vai se abrindo. É quase um movimento de vai e vem: a contração chega, empurra o bebê ele vai mais um pouquinho para baixo.

O trabalho de parto é processual, esse movimento de “vem contração, o corpo empurra o bebê para baixo, dilata mais um pouco e para, vem contração, empurra, desce o bebê, dilata e para” acontece sabiamente para que o seu corpo vai se abrindo pouco a pouco como uma preparação para a passagem do bebê.

 

Você já parou para pensar quão sofrido seria se não tivesse esse movimento processual de dilatação e o bebê passasse no estado normal do colo do útero? É por isso que o colo vai se abrindo pouco a pouco.

A dilatação acontece conforme as contrações são mais frequentes e mais intensas e isso é sabedoria do corpo feminino. E é por isso que toda mulher tem dilatação.

Repete comigo?! TODA MULHER TEM DILATAÇÃO!

 

Toda mulher tem dilatação

 

Comumente acredita-se que o trabalho de parto tem início quando a bolsa rompe, mas não acontece necessariamente assim.

Após a bolsa romper pode levar um bom tempo para as contrações chegarem. Também existem alguns poucos casos em que o trabalho de parto acontece sem a bolsa romper e o bebê nasce dentro da bolsa.

Mas quem nunca ouviu histórias de mulheres que “passaram muitos dias em trabalho de parto” e não tiveram dilatação?!

Essas mulheres que ficam horas em “trabalho de parto” e “não dilatam” e por isso vão para cesárea, provavelmente não estavam em trabalho de parto.

Existem fases anteriores ao início do trabalho de parto que são frequentemente confundidas com este início. Os pródromos e a fase latente antecedem o início do trabalho de parto. Nos pródromos o corpo experimenta contrações de treinamento e na fase latente o corpo ainda está encontrando o encaixe e seu ritmo com contrações mais espaçadas e não ritmadas.

O trabalho de parto na verdade, começa na fase ativa, ou seja, a partir de 6 cm de dilatação, com contrações ritmadas e frequentes (mais próximas uma da outra).  Até então o corpo está se abrindo para a passagem do bebê. A fase ativa termina quando o colo do útero atinge sua dilatação máxima (10 cm). Agora seu corpo está pronto para a fase expulsiva que é o momento de colocar o bebê para fora.

 

Esse diagrama de dilatação foi criado pela Casa de Parto Santa Clarita, na Califórnia a fim de ajudar a entender o que acontece com o corpo da mulher durante o parto. E nos ajuda a pensar que para chegar aos 10 cm de dilatação é preciso esperar e trabalhar junto com o corpo para que isso aconteça, afinal 10 cm são 10 cm!

 

Existem muitas particularidades em cada trabalho de parto, e por isso é preciso ter paciência afinal cada mulher é única e cada corpo também.

Dizem por aí, que o “normal” é que a dilatação evolua 1 cm por hora durante o trabalho de parto até chegar à dilatação máxima que é 10 cm. Não caia nessa! Não tem como padronizar, talvez você não dilate 1 cm por hora e está tudo bem, cada corpo vai funcionar de um jeito único durante o parto.

Lembrando: TODA MULHER TEM DILATAÇÃO

Isso quer dizer que aquela história “vamos ter que fazer uma cesárea porque você não tem dilatação” não é verdade? Exatamente!

É possível sim que aconteça uma parada na evolução do trabalho de parto. E isso não acontece porque o seu corpo não tem dilatação!

Existem 2 possibilidades para essa estagnada na dilatação:

1. Seu corpo tem o seu tempo. Pode ser que não tenha parado a dilatação, mas que seja somente o tempo do seu corpo para isso acontecer. Lembrando que muitas vezes esse diagnóstico de “não tem dilatação” é norteado pela infeliz “regra” de 1 cm de dilatação por hora. Esses padrões acabam atrapalhando o processo. Fuja deles.

2. Algo pode ter te deixado insegura e isso pode surgir do ambiente externo ou das suas emoções. Seu corpo entende que está em perigo, afinal é o que suas emoções estão expressando e por isso o corpo trava. Chamamos isso de distócia emocional.

 

O que pode atrapalhar a dilatação no trabalho de parto

 

Que os nosso medos nos travam isso não é novidade. Mas que esses medos podem estagnar o progresso do trabalho de parto muita gente não sabe!

Esse é um ponto bem importante que precisa ser pensado: não é que não a mulher não tem dilatação, mas alguma coisa pode ter acontecido nesse ambiente ou nas emoções dessa mulher que reprimiu o processo de dilatação.

Por isso é importante dar tempo ao tempo e oferecer o máximo de apoio e um ambiente extremamente acolhedor para essa mulher. Esse processo acaba deixando a mulher mais insegura e cansada.

Nesse caso o que pode ter gerado tal estagnação pode ter sido algo referente ao:
ambiente externo como: clima tenso, excesso de luzes e pessoas observando, ar condicionado forte
ambiente interno como: desconforto, insegurança, medo seja com relação a dor, o cansaço, o medo de não conseguir, a preocupação se o bebê está bem ou algo que tire a paz da mulher.

Isso não quer dizer que a evolução do trabalho de parto parou e não volta mais, ou seja, um movimento feito em direção de compreender o que está atrapalhando e promover a segurança e bem estar emocional pode mudar tudo. Parto é tão emocional e social quanto fisiológico!
O estado emocional da mulher tem tanta influência no desenvolvimento do trabalho de parto que é possível que o mesmo retarde a evolução. Neste caso, não significa que o corpo da mulher não tem dilatação.

É dado o nome de distócia emocional para a não evolução por questões psicológicas. O termo “distócia” significa qualquer problema, tanto de origem materna quanto fetal, que dificulte ou impeça o parto.

Por fim, só existe 1 única coisa que vai definir se você pode continuar esperando a evolução do trabalho de parto ou não: é a sua vitalidade e do bebê.

Se os dois estiverem bem não existe motivos para não continuar esperando o parto acontecer.

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