Toda gestante que eu conheço, quando busca por um parto humanizado, estuda muito! Isso acontece por que ter um parto humanizado no nosso país não é assim tão fácil. É preciso muita informação e luta.

Daí a mulher mergulha no universo do parto, aprende tudo sobre dilatação, contração, intervenções, tem uma doula, uma equipe incrível e pronto! Tem o seu tão sonhado parto (ou às vezes não e está tudo bem! – Desde que a experiência tenha sido humanizada). Mas e o depois?

O parto é apenas o começo da nossa jornada como mães, tem muito pela frente. Mas será que estamos prontas? 

Eu quero te contar como você pode se preparar para enfrentar o puerpério e viver esse momento de maneira mais tranquila e leve.

O que é o puerpério

No momento do parto todos os nossos hormônios estão lá no topo, em sua mais alta potência, fazendo com que o seu corpo todo trabalhe para colocar o bebê para fora. O bebê sai e os hormônios…puf! Despencam!

É aí que algumas coisas estranhas começam a acontecer com o seu corpo e mente, somados as noites sem dormir, amamentação, conhecer o bebê, o novo corpo… É coisa pra caramba pra lidar!

Especialistas dizem que o puerpério dura em torno de seis a oito semanas. Eu digo que dura o tempo que a mulher precisa que ele dure.

É importante pensar que essa é uma fase onde a mulher estará totalmente focada no bebê. Seria até bom se ela só se preocupasse com isso, afinal de contas, pensar em outras coisas gasta muita energia. Energia que a mãe precisa colocar somente na sua relação com o bebê pra dar conta de cuidar desse serzinho (e cuidar minimamente dela mesma).

Por isso que eu acho que esse tempo é muito particular de cada mulher. Tem mulheres que vão conseguir “sair” dessa bolha mãe-bebê em quatro semanas e tem mulheres que vão conseguir em 2 anos. E tá tudo bem! Cada um no seu tempo.

É nesse período que seu corpo vai trabalhar para voltar ao que era antes da gestação (nem tudo vai ser como antes, ok!? Você gestou e pariu um ser inteirinho…não dá pra voltar atrás. Tudo mudou e seu corpo é mais uma das coisas que mudou junto com você). E essa adaptação acontece em pelo menos 3 “lugares’’: na parte hormonal, no corpo e nas emoções.

 

Mudanças hormonais, no corpo e nas emoções

Uma das principais mudanças durante a fase que chamamos de puerpério é a parte hormonal. Todos os hormônios que agiam durante a gestação e o parto vão voltando a sua dose não gravídica. 

A ocitocina que é produzida durante o trabalho de parto ainda está presente em doses altas, principalmente durante a amamentação. O também chamado hormônio do amor auxilia no encolhimento do útero, fazendo com que ele volte ao seu tamanho normal por volta de 6 semanas (que é mais ou menos o tempo que o corpo leva para se recuperar, a chamada quarentena).

A prolactina alcança a sua dose máxima para a produção do leite. Ela inibe a produção de progesterona e estrogênio, o que faz com que a mulher não ovule. Por isso que mulheres que amamentam demoram para menstruar depois do parto. Mas não se engane! Essa história de que mulher que amamenta não engravida não é bem assim. Então se você não quer uma gestação logo em seguida, precisa se cuidar!

Ah, por conta da prolactina inibir o estrogênio, você pode sentir desconforto nas relações sexuais. Isso porque o estrogênio é o responsável pela lubrificação vaginal. Então depois que você receber alta do seu obstetra para retomar a vida sexual, use e abuse de lubrificantes, ok?!

Outra coisa que precisamos lidar no pós parto é a relação com o espelho. É bem estranho quando a gente se olha e parece que ainda tem um bebê na barriga. Isso porque o útero demora algum tempo para voltar ao seu lugar, lembra? E também tem outras mudanças para lidar: estrias, flacidez, olheira, queda de cabelo, os quilos extras, e por aí vai…

Tudo isso é comum para muitas mulheres no pós parto. É muito comum também que a gente se sinta irritada, cansada, exausta! Esses altos e baixos dos hormônios deixam a nossa parte emocional bastante abalada. Está tudo bem você achar que não vai dar conta, querer voltar a sua vida de antes, até mesmo sentir que está ficando maluca. Parece que não, mas confia: isso vai passar!

 

Quanto tempo dura o puerpério?

No papel o puerpério dura de 40 a 60 das, que é o tempo que o corpo demora para voltar ao seu estado não grávido, e ele pode ser divido em alguns momentos…olha só:

  • Puerpério mediato

O puerpério imediato acontece do 1º ao 10º dia pós parto, e é o momento onde a queda hormonal é mais brusca e o lóquio (sangramento pós parto) sai em maior quantidade. Nessa fase é importante que a mulher cuide da alimentação e do consumo de água para eliminar o excesso do líquido e a retomada do funcionamento intestinal. Mulheres que passarem por uma cesariana ainda precisam de mais cuidado para realizar as tarefas com o bebê, já que a recuperação é mais lenta.

  • Puerpério tardio

Acontece entre o 11ª ao 42º dia pós parto. O corpo ainda está se adaptando, voltando ao seu lugar. Além disso, pode ser que nesses dias você enfrente dificuldades com o bebê por conta de cólicas.

  • Puerpério remoto

Do 43º dia até o retorno da fertilidade. 

 

Diferença entre puerpério, depressão e baby blues

Você já ouviu falar de depressão pós parto e baby blues? Esses quadros são bem comuns no pós parto e precisa de cuidado profissional. Mas quando procurar ajuda?

Informações sobre depressão pós parto e baby blues são muitos importantes para que a rede de apoio esteja atenta aos sinais.

A maternidade é muito romantizada. É difícil vermos as mulheres falarem abertamente sobre as dificuldade de adaptação, a irritabilidade pelas noites sem dormir, a insegurança em cuidar de um recém nascido. Imaginamos que toda mãe recém nascida está plena e feliz com seu bebê nos braços…ledo engano!

A tristeza e a melancolia aparece em muitas mães recém nascidas, e da mesma forma que todos esse sentimento vem, eles também vão embora…assim mesmo, sem avisar. Isso é chamado de Baby Blues. É a fase em que mulher está extremamente sensível, insegura e se sente culpada por não estar amando ser mãe em todos os momentos do dia. Mas esse sentimento passa mais ou menos em torno de 30 dias. Tudo melhor com o passar dos dias.

O problema é quando não passa e piora com o tempo. A grande diferença entre um baby blues e uma depressão pós parto está na intensidade dos sintomas e na forma como a mulher lida com as questões do dia a dia. Na depressão, a mulher vive um quadro de tristeza e cansaço profundo que prejudica a sua habilidade de cuidar de si mesma e do bebê.

Os sintomas de depressão pós parto podem incluir:

  • Choro excessivo
  • Humor deprimido ou mudanças bruscas de humor
  • Irritabilidade
  • Afastamento das pessoas
  • Medo frequente de falhar nos cuidados do bebê
  • Sentimentos de inutilidade, vergonha e culpa
  • Dificuldade de criar vínculo com o bebê
  • Pensamentos relacionados a prejudicar o bebê e a si mesma
  • Pensamentos de morte
  • Redução do interesse em atividades prazerosas
  • Fadiga e perda de energia abrupta
  • Ansiedade e ataques de pânico

Podemos pensar que a depressão pós parto não é muito comum e vai embora sem necessitar de grandes cuidados, mas não é assim! No nosso país, 1 em cada 4 mulheres vivenciam a depressão pós parto e não tem os cuidados necessários.

Se você ou uma mãe próxima a você apresenta sintomas e você acha que é importante procurar ajudar… Não pense duas vezes! Nesses casos é melhor pecar pelo excesso.

Em raros casos, a depressão pós parto pode evoluir para uma psicose puerperal. Mas esse assunto é bem denso…vamos deixar para outra oportunidade, ok?!

Se eu puder te deixar um conselho é: Peça ajuda! Você precisa estar bem para cuidar do seu bebê e pedir ajuda não deve ser vergonha para ninguém

 

Cuidados no puerpério

Eu sei…é difícil pensar em cuidar de si mesma quando temos nos braços um bebê que depende 100% da gente. Mas é mais do que importante que você mantenha uma rotina de cuidados com você.

Alimente-se bem, tome bastante água, um banho demorado e mantenha os cuidados com higiene em dia. Tudo isso vai te ajudar a se manter bem e saudável

 

Dicas para um puerpério tranquilo

Agora eu quero deixar algumas dicas para que seu puerpério seja o mais tranquilo possível. Tem algumas coisas que você pode organizar para não ter que pensar nisso lá na frente. Quer ver?

  1. Se o seu companheiro tem uma licença paternidade (rídícula!) de 5 dias ou você é mãe solo, logo você vai ficar em casa sozinha com o bebê, então peça para que a sua mãe, companheiro, vizinhas ou amigas deixem comida congelada para você. Isso vai facilitar muito a sua vida.
  2. Se você tem um filho mais velho, peça para que alguém ajude você a cuidar dele e também separe um tempo só para vocês dois. O puerpério costuma ser muito difícil para os outros filhos.
  3. É você que cuida das contas, compras e organização da casa? Já passa essa função para outra pessoa. Eu sei que nem sempre a nossa realidade permite que a gente abra mão do cuidado com a casa, mas peça ajuda com isso o máximo que você puder. E não se cobre! Não fique achando que você precisa fazer bolo e passar um café para cada pessoa que vai te visitar.
  4. Tire um tempo para você. Passar o dia cuidando de um bebê pode ser muito estressante. Às vezes dá uma vontade (real!) de sair correndo. Então se você tiver um tempinho pra respirar, use esse tempo. Nem que você fique olhando pro teto.
  5. O início da amamentação é muito difícil. Peça ajuda sempre que precisar. Pesquise se sua cidade ou alguma cidade próxima tem algum banco de leite caso você precise.
  6. Não se cobre muito. A maternidade é difícil pra todas, acredite!

 

Você viveu o puerpério de maneira intensa? Está com dificuldades de lidar com os obstáculos dessa fase? Corre lá nas nossas redes sociais, vamos conversar sobre isso!

 

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