Assim que a gestação chega no final e o bebê está pronto para a vida aqui fora, o seu corpo começa a dar os sinais de que está se preparando para o trabalho de parto.

Isso geralmente acontece entre as 36 à 42 semanas, e cada mudança te leva mais perto de conhecer o seu bebê. Hoje vamos falar sobre como acontece cada etapa do processo e o que você precisa fazer quando o trabalho de parto começar.

Foto: Luciana Zenti

Quais são os sinais do trabalho de parto?

Muitas das mudanças que acontecem no corpo da mulher durante a gestação é uma preparação para enfrentar o trabalho de parto. Aquela dor no quadril, o desconforto na coluna…tudo isso é o corpo se preparando para dar passagem para o bebê sair.

Alguns sinais deixam mais claro que a chegada do bebê está próxima. Lembrando que cada trabalho de parto e parto são únicos, então não tem uma ordem certa para as coisas acontecerem.

  • O tampão mucoso é como uma rolha que fica na abertura do colo do útero protegendo o bebê de bactérias e infecções. Ele tem um aspecto gelatinoso, parecido com catarro e pode vir acompanhado de sangue. Conforme as contrações acontecem, o colo do útero vai afinando e o tampão mucoso sai. Tem mulheres que perdem o tampão dias antes e outras só no trabalho de parto mesmo.
  • Outro sinal do trabalho de parto e que é um dos mais percebidos são as contrações ritmadas e doloridas – Sim! Só quando as contrações tem ritmo que podemos considerar que a mulher está em trabalho de parto. Cada contrações dura em torno de 1 minuto e em trabalho de parto ficam com um intervalo médio de 5 em 5 minutos, diminuindo esse intervalo com o passar do tempo.
  • O rompimento da bolsa também é um dos sinais se acontecer após às 37ª semana de gestação. Caso ocorra antes de disso é preciso ir até o hospital para avaliar. Algo bem importante é verificar a cor do líquido amniótico, se estiver transparente não precisa ter pressa. Caso venha acompanhado de um líquido esverdeado, vá para o hospital. Mulheres que tem o exame do cotonete (strepto) positivo, também precisam procurar um hospital em caso de bolsa rota. Ah, é importante que você saiba que não pode ter relações sexuais com a bolsa rota, pelo risco de infecção.
  • E aí vem a dilatação do colo uterino para criar o canal de parto. A dilatação acontece quando as contrações estão fortes o bastante para que a cabeça (ou o bumbum) faça pressão sobre o colo do útero – algumas mulheres dilatam quando as contrações ainda não estão doloridas, em torno de 1 a 3 centímetros. Chegando aos 10 centímetros de dilatação começa o expulsivo, que é o momento da saída do bebê.

 

O que fazer quando o trabalho de parto começar?

A bolsa estourou? Está com contrações doloridas e ritmadas? Calma! Não precisa sair correndo.

Mesmo que esses sinais apareçam, não precisa ter pressa. O trabalho de parto pode demorar para desenrolar, ainda mais se for a sua primeira gestação.

Primeiro de tudo: avise a equipe que está te acompanhando. Eles vão te ajudar a identificar o melhor momento para ir a maternidade. Se seu médico falar que está tudo bem para aguardar em casa, chame sua doula e espere a natureza agir. Caso você não tenha uma doula, vou te dar uma dica: a melhor hora de ir para o hospital é quando você tiver 3 contrações dentro de 10 minutos.

O médico disse que está tudo bem para ficar mais um tempo em casa, você se sente segura…mas e aí? O que fazer até a hora de ir para o hospital? Tome um banho quentinho e demorado, caminhe, dance, se alimente, beba muita água, arrume suas coisas e aproveite para se despedir do barrigão. Logo seu bebê vai estar no seu colo.

Pode acontecer das contrações pegarem ritmo e daí você toma um banho quente e…ué? A contração parou ou o intervalo aumentou. Isso acontece mesmo! O banho quente relaxa e pode ser uma boa ferramenta para saber se você está mesmo em trabalho de parto. Então se você tomar um banho e as contrações continuarem…arrume as malas!

E como saber em que fase do trabalho de parto você está? Olha só…

 

As fases do trabalho de parto

As primeiras sensações são chamadas de pródromos ou falso trabalho de parto, isso por que ainda não começou de verdade. Os pródromos são aquelas contrações com ou ser dor, ritmadas ou não que podem durar dias. É seu útero se preparando para as próximas fases.

O trabalho de parto se divide em 3 fases:

  1. Fase de dilatação 
  2. Expulsivo
  3. Dequitação da placenta

Fase de dilatação

É aqui que começa a fase de dilatação, dividida em três partes: a fase latente, a fase ativa e a de transição. Vamos falar de cada uma delas…

  • Na fase latente as contrações são doloridas e começam a durar mais tempo. Essa fase pode durar dias ou horas e as sensações se intensificam durante a noite, mas dá pra continuar a vida. Aproveite para descansar, fazer coisas que gosta e se alimentar bem, é hora de poupar energia para o que vem pela frente.
  • Chegamos na fase ativa. Você já deve estar com 6 centímetros de dilatação, já percorreu mais da metade do caminho. Agora as contrações estão mais fortes e dolorosas, duram cerca de 1 minuto em intervalos mais curtos (3 contrações a cada 10 minutos mais ou menos – hora de ir pro hospital). Nessa fase você não consegue mais lidar com o mundo exterior, toda a sua energia está em você e no bebê. Você pode sentir náuseas, vontade de fazer cocô e dores fortes na lombar.
  • Já ouviu falar na “partolândia”? Chegamos nela! A fase de transição leva a mulher a um estado de consciência diferente, você chegou ao impasse: mulher x mãe. É nesse momento que as emoções podem tomar conta e você pense em desistir. Esse medo tem um motivo: liberar adrenalina para que você esteja alerta na hora do expulsivo. E ele está logo aí…

Expulsivo

Uma vontade incontrolável de fazer força: chegamos ao expulsivo. Respeite as sensações e o ritmo do seu corpo, se sentir vontade de fazer força, faça! Se não sentir, espere. O nosso corpo é muito sábio e sabe o momento certo de agir, você só precisa estar presente, focada no processo.

Seu bebê está em seu braços! Aproveite cada minuto desse momento, você passou pelo trabalho de parto e trouxe seu bebê ao mundo. Acabou! #sqn

Saída da placenta

Ainda não acabou. Tem mais uma parte: a saída da placenta. Esse órgão maravilhoso que o corpo da mulher criar para nutrir um bebê precisa sair, ele não tem mais função. Durante a saída da placenta você pode sentir algumas cólicas, é normal. Estar com o bebê em contato pele a pele nesse momento ajuda muito na saída da placenta. Agora sim chegamos ao fim.

 

O que fazer durante o trabalho de parto?

O trabalho de parto começou e você pode ter algumas dúvidas do que fazer nesse momento, então quero te dar uma dica: descanse! Descanse sempre que você puder, você vai precisar de energia mais pra frente. Mas mesmo que você descanse muito, não dá pra negar… o parto é bem cansativo. Mas é por um bem maior <3

Tente deixar tudo organizado para que você tenha tempo de descansar entre as contrações. Arrume a mala maternidade com antecedência, veja quem vai cuidar do seu filho mais velho, separe os documentos que precisa levar pra maternidade.

Outra coisa bem importante: beba água e coma. “Pode comer?” Pode e deve! É importante para você e para o seu bebê. Só não vale comer uma feijoada, ok?! Pode ser que você passe mal na fase ativa, então prefira alimentos leves como: frutas e castanhas. Dá até pra levar na mala maternidade.

Aí você me pergunta: “eu quero mesmo saber o que faço com as dores”. As dores…tem algumas coisas que podem te ajudar a lidar com elas. 

  1. Se mantenha em movimento ou em posições que te tragam conforto
  2. Respire quando a contração vier
  3. Massagens ajudam a te manter relaxada
  4. Use e abuse de água quente

As posições verticais são melhores para o trabalho de parto já que aproveita a força da gravidade. Mudar a posição com frequência ajuda a lidar com as sensações do parto.

 

Procedimentos feitos sem necessidade  

Precisamos falar de alguns procedimentos que rondam esse evento e que muitas vezes acabam deixando as mulheres inseguras e com medo. Um dos mais temidos é a episiotomia, que é um corte feito no períneo com o objetivo de auxiliar na saída do bebê.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) colocou a episiotomia no quadro de “práticas frequentemente utilizada de modo inadequado”, já que traz muitos malefícios para a saúde da mulher, prejudicando até sua vida sexual.

A tricotomia é a raspagem dos pelos da região pubiana e perineal e foi categorizado pelo Ministério da Saúde como um procedimento que não deve ser feito de forma rotineira.

O enema, ou lavagem intestinal também entrou para a categoria de procedimentos que não devem ser realizados de rotina. Nosso corpo é tão sábio, que muitas mulheres sentem vontade de fazer cocô no início do trabalho de parto, limpando o intestino naturalmente. E se isso não acontecer, fique tranquila…é muito comum fazer cocô durante o expulsivo e está tudo bem.

 

Como estimular o início do trabalho de parto?

A barriga pesa e você está cansada de esperar a chegada do bebê. E aí você me pergunta: “tem algo que eu possa fazer?” Tem! Vou te contar algumas coisas que você pode fazer para ajudar a engrenar o trabalho de parto. Lembrando que esses métodos só irão funcionar se você estiver relaxada e se o seu bebê estiver pronto para sair.

 

  • Deixe tudo pronto para a chegada do bebê – já ouviu alguma mãe dizer: “foi só eu arrumar a mala maternidade que o bebê veio”. Pois é…parece que os pequenos sabem quando nem tudo está pronto e ficam esperando o momento certo, então arrume tudo.
  • Faça coisas que você gosta: ir ao salão, ao cinema, passar o final de semana ao ar livre…aproveite para fazer o que gosta e se despedir da sua vida atual. Muita coisa vai mudar com a chegada do bebê.
  • Faça sexo: o sêmen masculino contém uma substância chamada prostaglandina que ajuda o colo do útero amolecer. Ah, lembrando que se você estiver com a bolsa rota não pode fazer sexo com penetração, ok?!
  • Tome um banho quente: água quente ajuda a relaxar.
  • Comida quente e picante: ajuda a energia circular .

Aproveite o final da gestação de maneira prazerosa, tudo isso ajuda a desenrolar o trabalho de parto. E viva o presente! Eu sei que o final da gestação vem acompanhada de muita ansiedade, então tente manter o seu foco no presente e curta o momento.

 

Benefícios do trabalho de parto para a mulher e para o bebê

Vivemos em um época em que tudo precisa ser rápido…o famoso “tempo é dinheiro”, e no parto não seria diferente. A cesariana em nosso país é muito comum (em torno de 57% dos nascimentos são via cesariana quando a OMS recomenda que essa taxa seja de 15%). Isso acontece por alguns motivos como: é mais rápida, mais rentável e não depende de uma equipe a disposição por 12 ou mais horas.

Você já pensou se é o melhor para você e seu bebê? Sim…eu sei, muitas mulheres escolhem a cesária justamente por ser mais rápida, ou por medo da dor do parto, ou até mesmo para ser ter algum controle sobre a situação – já que o parto é o evento que tá aí pra mostrar que a gente não tem controle de nada! E tá tudo bem…mesmo!

Mas preciso te falar sobre os benefícios do parto normal para que você escolha de forma consciente (sabendo quais são as suas opções e os prós e contras de cada uma) a sua via de parto.

Entrar em trabalho de parto é ter certeza de que o bebê está pronto para a vida aqui fora. Quando o pulmão do bebê está maduro, uma substância é liberada dando início ao trabalho de parto. Ou seja, a chances do seu bebê precisar de ajuda para respirar são bem baixas.

Outro benefício é que bebês que nascem de parto normal raramente precisam de aspiração já que o canal vaginal comprime o tórax, eliminando todo o excesso de líquido amniótico.

Imagem: Mães D’água

Esperar o cordão parar de pulsar é mais uma vantagem para a saúde do bebê e tem sido adotada também nas cesarianas. O sangue que está no cordão e passa para o bebê é rico em ferro e hemoglobinas.

O trabalho de parto é uma verdadeira orquestra de hormônios, cada um entra em um momento desempenhando perfeitamente a sua função. Hormônios como ocitocina, prolactina e endorfinas ajudam na amamentação e vinculação entre mãe e bebê.

A ocitocina – considerado o hormônio do amor –  provoca as contrações uterinas durante o trabalho de parto e também age na prevenção de hemorragias. Então, se não tem uma quantidade boa de ocitocina no corpo da mulher – como por exemplo em uma cesariana agendada – o risco de hemorragia aumenta.

E tem mais: o bebê nasce mais calmo e alerta e tem menor risco de desenvolver obesidade, o risco de infecção e de morte materna é menor no parto via vaginal – pois é…e fomos educadas a acreditar que a cesariana é a opção mais segura, mas não é – e também tem a questão da recuperação, que é bem mais rápida.

Como diz a minha sábia avó: “Parto normal é dor que se paga no débito, e cesariana é parcelado.”

 

Agora que você chegou ao final desse artigo, pode respirar fundo e esperar a natureza agir. Ainda tem alguma dúvida? Chama a gente 🙂

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