O termo violência obstétrica assusta, e a gente sabe que não é só por se tratar de uma violência, mas principalmente por que ela vem de profissionais em quem a gente precisa confiar o nosso corpo e o nascimento dos nossos filhos.

Mas, antes de tudo, o objetivo deste artigo não é te assustar, pelo contrário: é te passar toda informação possível, para que você saiba não somente identificar os sinais dela, mas também o que fazer caso ela aconteça.

Então respira fundo, e vem ler esse artigo que preparamos com muito carinho pra você.

O que é violência obstétrica e como identificá-la

O que caracteriza uma violência obstétrica, de acordo com o Ministério da Saúde, são:

“agressões psicológicas, verbais, simbólicas, sexuais e físicas que podem acontecer na gestação, parto, nascimento, pós-parto e até mesmo no atendimento ao abortamento.”

Mas na maioria das vezes, essa violência obstétrica vem como uma sugestão ou diagnóstico equivocado, que provocam desconforto, medo e ansiedade na mulher.

A principal coisa que se deve ter em mente sobre isso é que: qualquer situação que tire da mulher o total protagonismo durante o seu parto e gestação é violência obstétrica.

Ela é, na verdade, uma privação da mulher de ser a peça principal nessa experiência única que só pertence à ela, e que deve acontecer a partir dela, em sua volta e ao seu comando.

Você sabe o significado de Obstetrícia? Ele vem do termo Obstare, que significa estar ao lado.

Nosso primeiro conselho para prevenção é um tanto óbvio, mas necessário: você precisa conhecer o profissional que vai te acompanhar.

Busque por informações como métodos usados por ele, como ele trata as pacientes e as famílias, procure alguém que tenha sido sua paciente e converse com ela, toda informação é bem vinda.

Se for um médico por indicação, converse com quem indicou, tire suas dúvidas e não elimine a pesquisa só por ser uma indicação.

O nosso segundo conselho, é que se você receber algum diagnóstico profissional que te deixe insegura e/ou desconfortável de alguma forma, procure uma segunda opinião médica.

Se for necessário, procure uma terceira, uma quarta… quantas opiniões diferentes forem necessárias para que você se sinta 100% segura sobre essa escolha, que é tão importante.

Ter uma Doula diminui riscos de violência obstétrica

A Doula é uma profissional capacitada para auxiliar as mulheres durante todo o processo da gestação, parto e pós-parto.

Ter uma doula é uma das melhores decisões, inclusive para não passar por uma situação de violência obstétrica.

Ela vai te auxiliar e te informar, vai intervir em momentos de tensão, e sempre estará 100% do seu lado, para garantir que você seja a protagonista do seu parto, e pra te ajudar nesse processo.

Além disso, um estudo sobre as Doulas, mostra que tê-las durante o trabalho de parto e o nascimento reduz o número de intervenções, e traz melhores resultados para todos.

A relação da cesárea com a violência obstétrica

No Brasil, 1 a cada 4 mulheres sofrem algum tipo de violência obstétrica.

Infelizmente, ela é muito mais comum do que se imagina, chegando inclusive, a fazer parte da nossa cultura, passando totalmente despercebida na maioria dos casos.

É importante que primeiro seja esclarecido que cesárea não é sinônimo de violência obstétrica, assim como parto normal não é sinônimo de humanização.

Inclusive, temos um artigo desmistificando e explicando tudo sobre humanização no parto, o link vai estar logo no final!

A cesárea é um avanço maravilhoso da medicina que salva vidas todos os dias, e é um direito seu decidir qual o tipo de parto deseja fazer, assim como também é um direito seu ter todas as informações possíveis antes de fazer essa escolha.

Mas afinal de contas, o que a cesárea tem a ver com a violência obstétrica?

Um parto normal dura, em média, de 12 a 14 horas. Uma cesariana, apenas 30 minutos.

O atual problema das cesarianas é que para os profissionais, fazer o parto da maneira mais rápida possível é o ideal.

E para um hospital, os partos normais são imprevisíveis e mais complexos de administrar.

Na cesariana é possível não só agendar a data do parto, mas também saber em quanto tempo a sala de cirurgia será liberada para o próximo procedimento.

É mais fácil de administrar, de saber o número de nascimentos que vão acontecer naquele dia.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o segundo país que mais realiza cesáreas no mundo.

E embora a orientação da OMS é de que a taxa ideal de cesáreas deve estar entre 10 e 15%, o indicador do nosso país é de 55,6%, e ele só aponta para nossa triste realidade de que a violência obstétrica está presente na maioria dessa porcentagem.

Além disso, existem muitos relatos de mulheres que, ao darem entrada no hospital, tiveram a sua vontade desrespeitada por diagnósticos equivocados, e que foram coagidas (em alguns casos obrigadas) a realizar uma cesárea.

Unicamente nesse cenário, quando a cesárea não indicada acontece, se inicia um conflito com a própria natureza do parto desenvolvida pela mulher e toda autonomia construída, e por consequência, esse conflito também é levado ao bebê.

Profissionais que praticam violência obstétrica enxergam o parto como um ato cirúrgico, e não como um evento biológico, que dessa forma deve ser respeitado.

Os riscos de uma cesárea não indicada

Uma cesariana não indicada coloca a mãe e o bebê em risco 3 vezes mais do que um parto normal.

Quando ela é realizada, vem acompanhada desses riscos por se tratar de um procedimento cirúrgico não necessário, e por motivos específicos que explicamos logo a seguir.

A OMS aponta que o índice de cesarianas na rede privada é de 85,5% e 40% da rede pública.

Para o bebê, o risco de apresentar problemas de saúde é maior em uma cesariana agendada, por exemplo.

O momento em que ele indica que está pronto para nascer é quando o seu corpo está preparado para sobreviver fora da barriga da mãe, com todos os órgãos e funcionalidades necessárias para nascer e ter um futuro saudável.

Agora imagine se esse processo é interrompido.

O que temos é um bebê que não estava preparado para sair sendo retirado bruscamente do seu ambiente de segurança, e por esse motivo, pode haver uma série de complicações aqui fora.

O hormônio corticoide, por exemplo, que é produzido pela mamãe durante as contrações, ele ajuda no amadurecimento do pulmão, que é o órgão que se forma por último no bebê.

As contrações de expulsão liberam o hormônio ocitocina que ajuda na descida do leite, preparando a mãe para amamentação.

Além de evitar um maior risco de infecções, é preciso esperar o tempo do bebê, para que ele não precise de oxigênio artificial, por exemplo, que pode causar futuros problemas respiratórios.

Existem muitos casos de prematuridade iatrogênica no Brasil, que é a prematuridade provocada por intervenção médica.

Esperar é a única maneira totalmente segura para saber se o bebê está pronto para nascer.

Violência obstétrica no parto normal

Existe um mito de que parir normal é estar longe da violência obstétrica, mas boa parte desses abusos acontecem nele.

E apesar dessa violência ser relacionada à médicos obstetras, não são só eles quem a praticam.

Ela pode vir de enfermeiros e técnicos em enfermagem, anestesistas, recepcionistas e administradores, qualquer situação que deixe a mulher constrangida, com medo, tirando o seu protagonismo, deve ser analisada do ponto de vista de uma violência obstétrica.

Lembrando novamente que parto normal não é sinônimo de parto humanizado, nem cesárea é sinônimo de violência obstétrica.

Indicamos o documentário O Renascimento do Parto, disponível na Netflix, que aborda a violência obstétrica e explora todas as suas nuances, com histórias reais de mulheres contadas por elas mesmas.

Os casos mais comuns de violência obstétrica

Listamos algumas das situações mais comuns que acontecem nos hospitais, relatadas por mulheres e famílias que passaram por isso.

Imagem: Carla Raiter, projeto 1:4, http://carlaraiter.com.br

 

Durante consultas, na maioria, quando o profissional nota curiosidade ou desejo pelo parto normal na mulher ou na família:

  • O seu bebê é muito grande
  • Você é velha demais pra um parto normal
  • Nova demais para parir
  • Parto normal dói muito, você é corajosa!
  • Parto normal é coisa do passado / é primitivo
  • Parto normal é mais perigoso que uma cesárea
  • Vai prejudicar o playground (se referindo ao sexo após um parto normal)

Durante o parto, seja ele normal ou cesárea:

  • Quando fez não sentiu dor, agora que vai sentir?
  • Agora eu preciso só que você me ajude, mamãe
  • Só falta dar o “ponto do marido”
  • Não precisa de mais anestesia
  • Não pode tocar no bebê pra não passar germes

Diagnósticos equivocados, como:

  • Circular de cordão (cordão enrolado no pescoço)
  • Sofrimento fetal
  • Pressão alta demais / pressão baixa demais
  • Você tem pouco líquido / muito líquido
  • Falta dilatação

Esses são apenas alguns dos exemplos mais comuns do que se ouve em uma situação de violência obstétrica, mas isso ainda vai além:

 

Imagem: Carla Raiter, projeto 1:4, http://carlaraiter.com.br

 

  • Conversas paralelas na sala de parto, desrespeitando totalmente a parturiente e seu momento
  • Não permitir acompanhante, quando por lei toda parturiente tem esse direito
  • Restringir alimentos e até mesmo água (que não faz o menor sentido)
  • Ser submetida a lavagem intestinal
  • Deixar a mulher sozinha por horas, sem monitoramento médico
  • Forçar às pacientes a deitarem na posição que o médico quer, não a que ela se sentir mais confortável (ex.: a posição deitada com as pernas abertas, que é desconfortável e contra a fisiologia do parto, mas que é mais conveniente pro médico)
  • Médicos estourando as bolsas de suas pacientes, principalmente sem permissão
  • Exames de toque excessivos, provocando desconforto na mulher
  • Episiotomia – corte realizado entre a vagina e o ânus para o bebê sair mais rápido
  • Manobra de Kristeller – empurrar ou subir em cima da barriga para expulsar o bebê, que pode lesar órgãos e causar hemorragia (essa manobra é proibida hoje em dia)
  • Negar medicamentos para alívio da dor
  • Indução ao trabalho de parto sem uma real necessidade
  • Omissão de informação
  • Sofrer ameaças, piadas, gritos ou xingamentos

Imagem: Carla Raiter, projeto 1:4, http://carlaraiter.com.br

 

É total direito da paciente escolher o que ela quer e o que não quer, o que ela autoriza ser feito e o que ela não autoriza, e isso é válido para qualquer coisa, desde cada medicamento a procedimentos e posições.

E é justamente para isso que o Plano de Parto serve, mas aconselhamos que não use o modelo que é entregue nos hospitais, pois são muito restringidos, sem todas as informações necessárias, apenas com o que é conveniente para eles (em geral).

Vamos deixar o link do nosso modelo de plano de parto no final do artigo.

O que fazer em uma situação de violência obstétrica

Se você chegou até aqui e tomou consciência de que passou por isso ou está passando, calma, nós vamos ajudar você e tudo vai ficar bem.

A primeira coisa que você precisa fazer é procurar a ajuda de um psicólogo e se cercar de pessoas que você ama e que sabe que pode confiar e que elas irão te apoiar.

O acompanhamento psicológico durante a gestação é tão importante quanto o pré-natal, para sua saúde e pra saúde do seu baby, mas caso ainda não faça, esse é o momento.

O primeiro passo para denunciar é anotar o CRM se for um médico; o COREM se for um enfermeiro ou um técnico de enfermagem.

A denúncia pode ser feita no hospital mesmo, ou nas secretarias Municipal, Estadual ou Distrital, nos conselhos de classe ou por telefone no Disque-Denúncia: 180, ou pelo Disque Saúde: 156.

Caso se sinta mais confortável, você pode procurar um advogado para saber a melhor forma de lidar com a situação a partir daí.

Já passou por isso ou conhece alguém que tenha passado? Compartilhe sua história com a gente, é só deixar um comentário aqui embaixo. 

Leia também: Você sabe o que é parto humanizado? 

Clique aqui para ter acesso ao nosso Plano de Parto

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One Comment

  • […] Em um primeiro momento todas essas transformações foram recebidas positivamente pelas mulheres. Elas se sentiram mais seguras para viver a experiência do parto e houve uma diminuição considerável nas taxas de mortalidade. No entanto, com o passar dos anos as mulheres foram percebendo que não eram mais protagonistas do seu parto e que agora não passavam de um objeto da assistência. Um século se passou. As mortes diminuíram, mas a violência aumentou. Atualmente 1 em cada 4 mulheres sofre algum tipo de violência obstétrica. […]

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